Quando você lê uma história que se inicia com "era uma vez", logo imagina um casal que venceu as dificuldades e viveu feliz para sempre, não é mesmo? Hoje, vai ser diferente, pois este 'conto de fadas' não teve final feliz, neste caso.
O garoto era um rapaz jovem e sonhador, bastante esforçado e de espírito guerreiro, enquanto a garota era dona de uma personalidade bastante forte, era uma pessoa autêntica. Entre eles, havia muito amor. E a distância.
Tudo começou como uma simples admiração que, com o tempo, foi se tornando amizade amizade, uma aproximação de pessoas que tiveram uma certa identificação, um com o outro. A conversa era agradável, afinal, eram duas pessoas inteligentes e que falavam abertamente sobre tudo.
O contato foi aumentando e, com isso, a intimidade seguiu o mesmo caminho, ao ponto de assuntos gerais darem espaço às conversas relacionadas às vidas pessoais de ambos. Começava a nascer ali uma certa cumplicidade, quando se deram conta, os dois se viam na necessidade deompartilhar suas vidas, um com o outro. A tal cumplicidade trouxe consigo o interesse de um para com o outro e aquele princípio de desejo de ter a pessoa mais do que como mero amigo.
O fogo da paixão estava se ascendendo, planos de se ver aconteciam a todo instante, um tinha a voz do outro como música e as fotos eram o retrato-falado daquilo que os fazia sorrir, que deixava seus corações palpitando mais forte e os olhos brilhando, como o de uma pessoa que vê o objeto de seus sonhos na sua frente. O desejo do encontro superava qualquer outro sonho naquele momento. Tudo que se queria era sentir o calor do abraço, o cheiro da pele, ter aquele contato olho-no-olho, saber que tudo era real. Foram noites sonhando com esse momento, tanto dormindo quanto acordado.
Para o rapaz, era um ano especial, afinal, ele vinha alcançando sucesso profissional rapidamente e estava prestes a concluir primeira sua faculdade, o primeiro diploma de nível superior da família, em uma instituição pública. O fim do ano era um momento de grande expectativa, seria o momento de comemorar todo o esforço, era o momento de fechar tudo com chave de ouro, ao lado de sua amada.
Para a garota, a expectativa de viver esses dias com um gostinho de "valeu a pena esperar", os dois teriam as melhores férias de suas vidas. Ela avançava em seu curso superior e logo também estaria formada.
Era tudo muito bonito. Boas sensações. Boas conversas. Carinho. Amor. Sonhos. Tudo perfeito. Espera, eu disse "Perfeito"?
As dificuldades surgiram, trouxeram aquela dose de realidade que as vezes falta para pessoas apaixonadas. Aquele sentimento que parecia tão forte cedeu diante das dificuldades. Cadê todo aquele impulso? Todo aquele calor? Eu tenho a resposta: adormeceram (ou morreram?).
De um começo promissor, animador, restou apenas a dúvida se todos aqueles bons sentimentos serão vividos novamente. Ah, que ingenuidade, isso não vai acontecer. A condição impede, a distância impede. Tudo impede!
Qual foi o erro dos dois? Estava tudo tão bem arquitetado, o que poderia dar errado? Na verdade, nenhum dos dois consideraram um adversário importantíssimo: o medo. Por medo (de errar ou sofrer, tanto faz), as pessoas deixam de arriscar, o que pode lhes evitar sofrimento, mas também pode impedir a felicidade. Para sairmos das nossas zonas de conforto, são necessários muita coragem, audácia e força de vontade. Não é para qualquer um.
A vida aprontou mais uma das suas, fez este jovem casal experimentar o pior lado da historia sem ao menos ter dado aos dois o gostinho de ter provado daquilo que tanto almejavam. Fica a marca, a cicatriz, a esperança (ainda que cercada de dúvida) de que todos esses sentimentos bons serão vividos. Do jeito que eles sempre quiseram.
Fica o aprendizado, quem sabe na próxima oportunidade, haja mais coragem, mais disposição, mais humildade, mais empatia, ou seja lá o que tenha faltado entre as partes. Fica também a marca que cada um desses dois jovens deixou na vida do outro.
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