12 de outubro - saudade da infância

Hoje é Dia das Crianças. Mais do que em qualquer outro dia, nesta data me bate uma saudade da minha infância, de todos os momentos, dos amigos. Paro para refletir em quanta coisa mudou daqueles tempos para cá: mudei de bairro, as pessoas com quem convivo são outras... a minha vida é completamente diferente. 

Tive uma infância bastante simples e difícil, financeiramente falando. Nós não tínhamos condições de comprar os brinquedinhos que eu olhava e desejava tanto naqueles catálogos da Ri Happy, como aquele lava-rápido da Hot-Whells, por exemplo - pra não falar que não tinha nada, ganhei um boneco do Goku que tenho até hoje, eu o guardo como lembrança -, mas, costumo dizer às pessoas que este foi um dos únicos pontos negativos da minha infância (que, inclusive, explica a agonia que sinto ao passar vontade de algo que quero muito), mas, a ausência dessas coisas não tirou o brilho daquele tempo e nem a saudade que tenho daquela época.

Os meninos da minha época gostavam de brincar com estilingue de soltar pipa, rodar peão, andar de bicicleta, bolinha de gude e jogar futebol. Eu participava apenas quando era as três últimas, não gostava das outras, porque não levava jeito. 

O futebol era minha atividade preferida. Passei uma boa parte da minha infância correndo descalço no campo de terra (ao qual apelidamos de "Areinha") entre os prédios da Quadra B do Conjunto Habitacional do bairro do Real Parque, zona sul de São Paulo. Ainda hoje, quando volto lá, um filme passa na minha mente. Aquele lugar foi palco de momentos inesquecíveis, como jogos, encontros e até brigas. Hoje em dia, ainda reunimos os amigos da época para matar a saudade, vez ou outra. Eu não era um craque, mas formava uma dupla perfeita com o Ricardo, meu melhor amigo e até hoje considerado 'meu irmão mais velho'. Era difícil ganhar quando jogávamos juntos. hahaha

O Ricardo, aliás, foi minha companhia nos principais momentos da minha infância, seja jogando bola, em visitas, nas vezes que matamos aula para irmos ao shopping e até quando eu levava broncas da minha mãe ele estava ao lado, ouvindo também. Nós éramos realmente muito próximos.

Areinha: O lugar mais marcante da minha infância (eu sou o de camisa amarela)

Outra ótima lembrança que tenho é dos momentos em que nos reuníamos durante a noite e ficávamos batendo papo. Falávamos sobre qualquer bobagem e só parávamos quando uma de nossas mães gritavam pelos nossos nomes para irmos embora para casa. Se deixassem, ficaríamos lá até altas horas da madrugada. 

Minha infância não durou muito tempo, pois, aquela vontade de ter minhas coisas continuou me incomodando, de modo que, aos 12 anos, eu comecei ganhar meu próprio dinheiro (contra a vontade da minha mãe), junto com um amigo, vendendo bala no farol do cruzamento das avenidas Luis Carlos Berrini com a Roberto Marinho, na região do Brooklin. Era difícil quando eu saía carregando a mochila e via meus amigos brincando ou, em alguns casos, ouvia suas piadas, quando viam que eu estava de saída para trabalhar. Foram apenas alguns poucos meses de trabalho, mas que me trouxeram um aprendizado que considero imensurável. Aliás, este aprendizado é um dos fatores que considero serem o mais importante para que eu tivesse adquirido uma maturidade incomum para a minha idade, segundo aqueles que me conhecem. Dizem que o sofrimento nos amadurece, né?

O que escrevi aqui é uma porcentagem mínima de todos os bons momentos que tive, eu poderia passar dias aqui relatando que não conseguiria descrever o quão bons foram meus dias enquanto criança. O mais legal de tudo é aquela criança ainda permanece em mim. Até hoje, ao pisar no mesmo campo de terra onde eu sempre estivera, me bate aquela vontade de pegar a bola, chamar a molecada e ficarmos jogando até as pernas não aguentarem mais. Guardo com muito carinho tudo o que vivi, todos os valores que adquiri nesse tempo e que, com certeza, serão a base para que eu crie meus filhos em um futuro talvez próximo.




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