Paranapiacaba: um tesouro histórico desconhecido (e esquecido)

Em um dos meus últimos finais de semana, tive a oportunidade de conhecer a Vila de Paranapiacaba, um distrito de Santo André, na Grande São Paulo. É um local com muita história e, apesar de desconhecido, foi muito importante para o desenvolvimento brasileiro, pois esta cidade funcionava como um centro de operações da ferrovia que hoje é denominada Santos-Jundiaí. Vou tentar contar um pouco do que aprendi sobre o local e alguns dos pontos mais atrativos da Vila.

História

Paranapiacaba, que em tupi-guarani significa “lugar de onde se vê o mar”, fica entre o planalto paulista e o litoral, no alto da serra do mar. De fato, quando a neblina não atrapalha, é possível ver um trecho do litoral paulista de alguns pontos da cidade. Sua história é muito baseada na construção da estrada de ferro Santos-Jundiaí.

No século XIX, a base da economia de São Paulo era a produção de café, porém esta produção era cara e o transporte de café era feita por burros por toda a serra paulista até a chegada no porto de Santos, onde era exportado para o resto do mundo.

Pátio ferroviário
Com o aumento da demanda e a necessidade de mais velocidade na produção e exportação dos produtos, foi criada uma linha férrea que ligava Santos à Jundiaí, a São Paulo Railway, em 1867, que mais tarde seria denominada Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Ela primeiramente serviu como transporte de passageiros de Santos a São Paulo e Jundiaí (última estação); também serviu como escoamento da produção de café da província paulista para o porto de Santos. O caminho para a construção da ferrovia foi aberto com o auxílio de explosivos, já que o terreno era muito instável.

Em 1874, foi inaugurada a estação Alto da Serra, que posteriormente foi denominada Paranapiacaba. Em 1898 foi inaugurada uma nova estação, esta com materiais franceses que eram trazidos pela Inglaterra e, como principal destaque, um grande relógio com estilo britânico que se destava no meio da neblina. Em 1896 foi iniciada a duplicação da linha férrea, devido ao aumento do volume de carga transportada.

A estação foi desativada em 1977, e a estação remodelada, inclusive o relógio foi deslocadado para uma torre mais alta que a anterior. Em 1981 houve um incêndio que destruiu a estação construída pelos ingleses no século XIX, que foi substituída pela atual, bem menor que a anterior, suspeita-se que este incêndio tenha sido um ato criminoso.

Alguns dos pontos mais bonitos da Vila:

Igreja de Paranapiacaba

A Igreja de Paranapiacaba, que na sua origem chamava-se Capela do Alto da Serra, foi construída para atender os funcionários católicos da ferrovia. Sua primeira missa foi celebrada em 1884. Antes da capela propriamente dita, a localidade contava com um oratório, cujo registro mais antigo é de 1880. A igreja teve como padroeiro o Bom Jesus. Com a criação da paróquia de Ribeirão Pires, em 1911, a igreja de Bom Jesus do Alto da Serra passa a ser ligada a ela. Hoje, a igreja de Paranapiacaba é anexada à paróquia de Rio Grande da Serra.

Castelinho

Entrada do Castelinho
Esta residência, que hoje é um museu, pertenceu ao engenheiro-chefe inglês que comandava as ações naquela região da estrada de ferro, é a maior da Vila. O Castelinho, como também é chamado, situa-se em um lugar privilegiado entre a Vila Velha e a Vila Martin Smith, ambas na parte baixa de Paranapiacaba, o que simbolizava a liderança e a hierarquia que os ingleses impuseram ao lugar.





Maria fumaça
Maria fumaça

Um dos pontos de maiores destaques da Vila é o passeio de Maria fumaça. São poucos metros, mas a experiência de andar no trem a vapor é inesquecível, uma viagem no tempo.






Trilhas

As trilhas também são um dos maiores atrativos para os turistas de Paranapiacaba, são vários caminhos que se podem percorrer e ter contato com a mata atlântica e pelas paisagens naturais. É recomendado que elas sejam feitas com o auxílio de monitores, para iniciantes. São variados tipos de trilhas, para maiores infomações, clique aqui.


Algumas tradições:

Paranapiacaba conta com festas tradicionais na região como os festivais do Cambuci (onde é exibido várias receitas com a fruta) e o festival de inverno, principal evento da cidade e o momento que a vila fica tomada por turistas.

Há também muitas lendas sobre lendas em Paranapiacaba, algumas delas foram publicadas neste site: http://www.sobrenatural.org/materia/detalhar/7029/historias_de_paranapiacaba/

Retrato Atual

Uma das casas restauradas
Hoje, a vila de Paranapiacaba passa por uma reforma. A prefeitura de Santo André, em parceria com algumas empresas do ramo, está reformando as casas da Vila, buscando manter o seu aspecto original e, consequentemente, toda a história que há por trás dessa arquitetura. Porém, estas restaurações estão acontecendo em um ritmo muito lento, o retrato da Vila hoje é de abandono por parte das autoridades e de uma imensa falta de respeito com o patrimônio histórico e cultural brasileiro. "A prefeitura chega a falar daqui como outra Campos do Jordão, mas está muito longe disso", conta Thomas Côrrea, voluntário da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), a uma reportagem do jornal Estadão sobre o cenário de abandono da Vila.


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